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Especialistas explicam: como entrar em 2021 com as contas no azul

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Para o diretor de Operações da Simplic, João Figueira, a resposta para essa questão é o planejamento, que em um momento de pandemia não é algo fácil,

Para o diretor de Operações da Simplic, João Figueira, a resposta para essa questão é o planejamento, que em um momento de pandemia não é algo fácil, principalmente porque os brasileiros não costumamterdisciplina no controle do que ganham e gastam. Segundo Figueira, isso não é algo tão complexo de ser feito, já que há ferramentas online, até mesmo as planilhas do Excel.

«Na parte dos gastos, habitualmente as pessoas começam pelas despesas fixas que são mais fáceis de controlar, como água, eletricidade, aluguel, transporte. O que vemos as pessoas falharem é não colocar aquelas despesas que não acontecem de forma recorrente, como o IPTU e IPVA, que vêm agora em janeiro».

Figueira destaca que é preciso estar atento ao dia de vencimento das despesas, ou seja, é preciso que essa data esteja de acordo com o dia em que se costumatero rendimento. «É muito comum ver pessoas que recebem no último dia do mês e colocam suas despesas com vencimento para o dia 20, por exemplo. O problema é que você está tendo a despesa dez dias antes detero rendimento, e aí dez dias de juros são pagos sem necessidade», diz.

Ele ressaltaque oprimeiro passo é conhecer bem a dívida, verificando nos órgãos de proteção ao crédito e falando direto com os credores, sejam bancos, cartões de crédito ou lojas onde tenham sido feitas compras parceladas, para renegociar, prática comum no mercado e que é benéfica para as duas partes.

A criadora do Finanças Femininas, Carol Sandler, completou que é preciso fazer uma autoanálise das finanças, usando como base as faturas e extratos dos últimos três meses, olhando linha por linha e separando o que é essencial e o que são pagamentos de parcelas de dívidas e também o dinheiro que eventualmente conseguiu guardar. A partir disso, basta analisar as proporções do que é gasto com cada categoria e comparar com o que seria o ideal.

«Se a pessoa está endividada, existe uma proporção ideal para isso, que é 50% para bancar os essenciais, 20% os supérfluos e 30%o pagamento das parcelas das dívidas.Para quem não está endividado, a proporção muda para 50% para os essenciais, 30% para supérfluos e 20% para guardar todo mês.Não dá para sonhar com atingir o mundo ideal do dia para a noite, mas é importante fazer esse exercício para ver qual é a sua realidade financeira agora ecomeçar a entender o que é preciso fazer», explicou.

Para quem está muito endividado, a dica é listar todas as dívidas e verificar se o gasto com elas é muito maior do que os 30% ideais. Se isso ocorre, o melhor é fazer a renegociação, mostrando que o percentual da renda mensal comprometida é maior do que o possível e, assim, insustentável. «A partir daí, deve-se questionar o credor sobre a melhor negociação possível para ficar com uma dívida capaz de ser paga. O que o credor mais quer ver é sua intenção de pagar a dívida».

Outro detalhe a observar para manter as contas no azul são as tentações que aparecem a todo tempo e que levam ao consumo desnecessário. Segundo Carol, o maior vilão do endividamento é o cartão de crédito, que dá a falsa ideia de que que temos dinheiro sobrando. «Essa dívida é baseada na desorganização, no descontrole, no impulso. Então, o que eu sugiro é que a pessoa, pare e olhe como ela está gastando esse dinheiro, porque fazendo esse exercício de ver quanto se gasta com supérfluos, é possívelidentificaronde há um problema».

Ela ensina ainda truques como antes de fazer qualquer compra por impulso, tirar dez minutos para pensar em outra coisa, mudando o foco, fazendo outra atividade. Depois desses dez minutos, analisar se ainda se lembra do que estava prestes a comprar. Outra ideia é anotar todos os impulsos que tem, sempre que der vontade de comprar alguma coisa, para depois analisar se há dinheiro para comprar aquilo ou não.

«O que eu vejo é que os impulsos vêm e nem sempre eles correspondem ao desejo real da pessoa. Você compra uma coisa pela internet e quando chega, a pessoa nem lembrava que havia pedido aquilo e acaba ficando largado em casa. Às vezes, só dar distância para controlar o impulso, ver se realmente quer aquele produto, já pode impactar muito», afirmou.

Outra dica é desfazer a inscrição eme-mailsmarketing de lojas nas quais se costuma comprar, parar de seguir marcas nas redes sociais, além de influenciadores que fazem com que se gaste mais, e assim criar um ambiente onde não fiquetão exposto a desejos de consumo.

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